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Um mouse na mão e um monte de Guacamole na cabeça

December 26, 2011

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É notório que quando Elvis Presley sacudia febrilmente os quadris, muitas de suas fãs, para o absoluto desespero de seus pais, chegavam a perder os sentidos tamanha a emoção que as dominava. Surgido no final dos anos 40, o Rock and Roll nasceu abalando as estruturas e chocando muita gente conservadora que à época acreditava piamente que o inquieto ritmo era obra do próprio capeta. Elvis, um dos “founding fathers” do movimento, e seus diabólicos quadris certamente contribuíram, e muito, para a construção da imagem de gênero musical maldito. Tal qual uma poderosa epidemia, o ritmo transgressor espalhou- se velozmente pelo planeta e nunca mais parou de conquistar fãs. Hoje em dia, décadas depois de ícones sagrados como Chuck Berry, The Rolling Stones, Van Halen, The Beatles e U2, o Rock e nem o mundo são mais os mesmos. Se antes Ozzy Ousbourne mastigava morcegos vivos no palco, atualmente, muitos roqueiros de sucesso preferem uma “radical” tigela de granola e iougurte nos camarins acompanhada por um  suco orgânico de abacaxi. E embora algumas bandas ainda sejam capazes de produzir uma taquicardiazinha aqui e acolá, quem faz as fãs desmaiarem às pencas é o efeminado Justin Bieber. Vai entender. Se está difícil entender o que é Rock and Roll hoje, ( Restart é Rock? Se a resposta é sim, então, Mozart pode ser categorizado como Axé music. É isso, Arnaldo? ) ainda é muito fácil apontar propaganda ruim quando se cruza com uma. Esse impagável anúncio que traz o Rock como tema pretende divulgar a cozinha mexicana de uma tal rede chamada SISEÑOR. Sabe-se lá que “cazzo” significa comida mexicana com sabor de rock’n’roll mas de acordo com o diretor de arte é um cabeludo tocando uma guitarra feita de Nachos melecada por pinceladas de Guacamole. Guacamole mesmo é o que entope as veias do cérebro do diretor de arte da peça, isso sim. Que desastre. A imagem é repulsiva e a montagem apresenta execução sofrível, amadora. O resultado final é digno de pena. Como castigo, deviam forçar esse idiota a ouvir CD’s do MICHEL TELÓ e do CALYPSO até que ele implore pra morrer. Guitarra de Nachos? Crendeuspaitenhamisericórdia…

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Criação Boi de Piranha ou a incompetência na ponta dos cascos.

August 17, 2011


Brasileiro A-M-A carne. Sempre amou. Antes dos portugueses, as primeiras gentes ( índios ) que moravam por aqui traçavam de tudo: aves, peixes, insetos, roedores, macacos e outros bichos. Eventualmente até portugueses acabavam virando carne de panela. O pobre bispo Pero Fernandes Sardinha escapou de um naufrágio na costa alagoana mas não escapou dos dentes dos ferozes Caetés. A carne eclesiástica, bem mais macia, gordinha e saborosa do que as carnes duras dos colonos, devia ser uma iguaria muito apreciada em toda América do Sul. Com o correr dos anos, fomos nos desapaixonando de bichos silvestres e padres e gostando cada vez mais da carne do boi, bicho trazido pra cá pelos lusos à bordo de suas naves. O fato é que nós, brasileiros, nunca mais paramos de comer carne. E somos o maior produtor e exportador de carne do planeta. Europeus, asiáticos e árabes não passam sem uma carninha brasileira. Não, amado, desavisado e safadinho visitante, não estamos falando da paixão que estes povos nutrem pelos talentosos prostitutos, prostitutas e travestis que defendem garbosamente nossas cores nas esquinas de cidades de cinco continentes. Estamos falando mesmo é da nossa querida carne bovina. Porém, como estamos no Brasilzão velho, volta e meia pipoca em alguma fazendo por aí um surto de febre aftosa para pânico dos compradores estrangeiros de carne e desespero dos desmatadores digo, pecuaristas nacionais. Em uma tentativa patética de fazer os fazendeiros vacinarem o nosso bravo rebanho bovino contra a aftosa pra não perder divisas lá fora, o Governo Brasileiro lançou uma campanha cujo tema é: “Vacine o seu rebanho para o mundo”. O esforço de comunicação foi legítimo mas a solução criativa ficou, pra dizer o mínimo, catastrófica. Um boi turista zanzando no alto do Cristo Redentor seria cômico se não fosse absolutamente trágico. E o danado ainda usa um chapéu Panamá! UM BOI DE CHAPÉU PANAMÁ??? Pra piorar tudo, a foto de fundo ( escabrosa ) está em um ângulo completamente diferente em relação ao bovino de chapéu. A lógica espacial da foto foi pra casa do caralho ou pro brejo. Uma campanha horrenda dessas me leva a uma só conclusão: os (ir)responsáveis pelo boi turista certamente sofrem do mal da vaca louca. Seus cérebros transformaram-se em esponjas inúteis incapazes de processar qualquer coisa que preste. Por favor, dirigentes da agência onde esses ruminantes pastam: ponham esses meninos no brete.

Quem faz propaganda ruim vai pro inferno!

June 27, 2011


Um dos maiores astrônomos de todos os tempos, o italiano Galileu Galilei, afirmou em 1610 que a Terra girava em torno do sol. Essa verdade que hoje pode ser confirmada por qualquer criança semi lobotomizada que assiste ao Discovery Kids e é fã do dinossauro boiola Barney, causou verdadeira comoção na época. A Santa Igreja não gostou nem um pouco do assanhado italiano que se atrevia a dizer que o centro do universo não era a Terra e o convocou a dar explicações. Corria o século XVII e a Europa católica e suas colônias viviam sob o terrível jugo da Inquisição.  Galileu foi até Roma e quando percebeu que estava prestes a virar churrasco, recuou e disse às autoridades religiosas que sua idéia era uma mera hipótese. Escapou da fogueira mas viveu o resto da vida perturbado e com medo. Morreu na penúria e condenado pela igreja. Mas Galileu até que teve sorte. Milhares não escaparam das labaredas purificadoras do Santo Ofício. O inquisidor-geral espanhol Tomás de Torquemada, cujo hobby era churrasquear judeus e muçulmanos convertidos, teria ordenado mais de 2.200  autos-de-fé. Um horror. A verdade, meus irmãos, é que se, por acaso, ainda houvesse Inquisição os publicitários autores desse anúncio seriam sérios candidatos a virar picanha. A fim de vender a altíssima qualidade do pão alemão Tröller, os blasfemadores retrataram Jesus Cristo apertando o produto contra o peito com uma cara de quem não pretende reparti-lo com ninguém. É como se Jesus disesse: “Nem vem que não tem! Vou comer esse pão inteiro sozinho! Repartir é o caralho! A última ceia que se foda!”. Ok,  entendi a piadinha herética mas religião é um tema delicado demais pra ser administrado por gente inexperiente e sem noção. Olha, gente, eu nem sou lá muito católica mas que este anúncio é besta, é. Que Deus tenha piedade das almas desses ímpios. Amém.

Adote um cão. Despeje um publicitário.

June 6, 2011


Robert Parker, o lendário crítico de vinhos, consegue com uma singela cafungada em uma taça de vinho identificar aromas como: tabaco, especiarias, chocolate, madeira e compota de frutas vermelhas. Parker e seu olfato absoluto constituem uma verdadeira aberração visto que a esmagadora maioria dos humanos só se lembra vagamente que tem um nariz quando este, durante uma gripe, escorre sem parar. Temos um olfato pobre, ridículo até se observarmos o que um focinho canino pode fazer neste quesito. Os cães, com um olfato dez mil vezes mais poderoso que o nosso, identificam e interagem com o mundo ao seu redor cheirando-o de cabo a rabo. Sempre que dois canídeos se encontram cheiram as partes íntimas um do outro sem a menor cerimônia. É um ritual corriqueiro de identificação, reconhecimento e até demonstração de interesse sexual. Esta pose, um tanto estranha para nós, humanos, e relativamente familiar para funkeiras cariocas, foi usada de forma grotesca em um anúncio bizarro que visa estimular a adoção de cães. Uma madame de gatinhas (ops! Trocadilho inadequado ao tema) faz as vezes de um cão e está cheirando com expressão de nojo o cu de um desconfiado setter irlandês. Não é uma imagem exatamente inspiradora para ninguém. O comando “Venha cheirá-los” não me dá vontade de adotar nem meio Chiuahua. O que os publicitários responsáveis andaram cheirando no trabalho pra chegar nisso? Drogas? Não. Acho que andaram cheirando o rabo uns dos outros, só isso.

Caldo de galinha não faz mal a ninguém.

May 12, 2011


Desde que Deborah Secco caiu de boca no personagem de Bruna Surfistinha e arrasou nos cinemas de todo o país, sua popularidade não parou de aumentar. Surfando no sucesso do filme, Deborah foi em frente e entregou-se avidamente às delícias do papel de garota propaganda de dezenas de produtos. De todos os trabalhos realizados e expostos na mídia, o pior, certamente é o anúncio dos relógios Lince. O nome dos relógios ( feios e bregas de doer ) não ajuda em nada mas a maneira como Deborah aparece na peça ajuda menos ainda. Alguém aí tem alguma idéia sobre o que é o líquido amarelo gosmento em que a atriz aparece quase submersa? Licor de pequi? Caldo de galinha? Sopa de batata baroa? Suco? Mostarda? Maionese vencida? Caldo Knorr? Batida de maracujá? Vômito? Sêmen? Façam suas apostas! Alguém sem muita noção do ridículo quis dar uma de sofisticado, “cool”, descolado e inventou essa inexplicável piscina amarela. O fato é que não tinham absolutamente nada pra dizer e daí partiram pra essa solução bizarra. Publicitários, ser moderno não tem nada a ver com atrizes envoltas por gosma amarela. Lamentável.

Cérebro também enferruja.

May 3, 2011


Quem está beirando os 40 anos ainda deve ter vívida a lembrança de comerciais dos Calçados Ortopé estrelados pelo então garoto/anão-propaganda Ferrugem ( apelido que lhe tascaram na extinta TV Tupi em 1976 ). Começava ali a carreira do bizarro ator de cabelos vermelhos e rosto sardento. Após o estrondoso sucesso da campanha da Ortopé, o moleque começou a brilhar no programa dos Trapalhões. No finalzinho da década de 80, Ferrugem perdeu o embalo e desapareceu. O mini ator aproveitou a agenda livre e empreendeu viagens pros EUA em busca de tratamento pra sua baixa estatura sem quase nenhum sucesso. Consta que estacionou em inacreditáveis 1,61. Recentemente, Ferrugem ensaiou um retorno à TV em um programa da MTV mas não há sinais concretos de que o ferruginoso anão vá bombar como no passado. A criativa Propaganda nacional bem que está tentando dar uma força pra promover um “revival” do personagem mas se depender do anúncio acima, o pigmeu rubro deve (Graças a Deus!) continuar no exílio mesmo. O anúncio de fungicida é basicamente um imenso e péssimo trocadilho com a palavra Ferrugem. É que a praga que ataca a soja leva o mesmo nome do ator e daí já viu, né? Estava feita a desastrosa ( e óbvia ) conexão. O maroto ator aparece na peça exibindo um sorriso ridículo enquanto enfia pregos enormes no pneu de um trator. Dois fazendeiros com cara de pateta conversam mais ao fundo sem desconfiarem do ato terrorista praticado pelo diminuto meliante. O título alerta para os terríveis perigos de não se usar o tal fungicida na soja. Cagada generalizada. É, meus amigos… O resultado final ficou à altura do nosso ator em miniatura. Pelo visto, a praga ferrugem além de atacar a soja pode danificar seriamente o cérebro de publicitários.

Piada pesada.

April 26, 2011


Quando no século XVI os portugueses chegaram ao antigo Sião, hoje Tailândia, constataram espantadíssimos que, entre a população de elefantes do lugar existiam alguns raros exemplares albinos. Os lusos também puderam testemunhar in loco um curioso costume envolvendo estes paquidermes, animais sagrados naquelas paragens. Conta-se que o monarca local, quando insatisfeito com alguém da corte, presenteava-o com um elefante passando a visitar o presenteado sempre de surpresa pra checar se o bichinho estava sendo bem tratado. O pobre do presenteado tinha que fazer das tripas coração pra manter o animal alimentado e limpo. Nascia assim a expressão “elefante branco” que passou a simbolizar inicialmente o presente incômodo e indesejado que alguém recebe de algum engraçadinho. O Brasil não é o Sião mas elefante branco por aqui é mato. Algumas obras dos Jogos Pan-Americanos de 2007, como a Arena Multiuso, o Parque Aquático Maria Lenk, o Complexo Esportivo Deodoro e o Velódromo da Barra são elefantes brancos clássicos. Alguns estádios a serem construídos para a Copa do Mundo de 2014 também têm tudo pra se tornar paquidermes albinos. Na nossa gloriosa propaganda nacional, um criativo de rara inteligência conseguiu colocar, literalmente, um elefante branco em um anúncio do filtro de água Europa Da Vinci. O título, pra lá de infantil e patético, exorta os consumidores a trocar filtros grandes, “trambolhentos” pelo filtro Da Vinci, supostamente mais moderno e menor. O problema é que o nosso excepcional gênio criativo decidiu chamar os filtros antigos de elefantes brancos. A metáfora visual ficou devastadoramente ruim. O bicho, porcamente clareado no photoshop, está plantado no meio da cozinha esguichando água da tromba em um copo de vidro. O animal está meio fora de proporção e ainda esmigalha as lajotas da cozinha graças a mais um efeitinho de photoshop brilhantemente mal executado. A peça é uma piada pesada e só não é suja porque o elefante tá limpinho.